quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Prisão Perpétua

Como agir diante da penitência
de ter lhe conhecido?
Conhecer-te é amar-te
e amar-te é minha pena perpétua.

Dessa condenação na qual sou réu
Tu és cúmplice… Ou alvo do meu furto?
Seus olhos verdes cor do mar,
O corpo, escultura perfeita
O jeito de homem-garoto
Tudo em você me corrompe…

Culpada eu sou inteira…
Desde o olhar que te ganhou
Às pernas que hoje, se entrelaçam em seu tronco.
Desde os pensamentos que só vagam em nossos assaltos
Ao corpo que só dança ao seu luar.

E num delírio,
Resta-me agora só curtir
Suas ásperas mãos a me algemar
O braço forte a me carregar
E da morte, descansar em seus músculos...

Tanta beleza, tanta riqueza...
Que minhas mãos leves jamais sonharam em tocar
Um luxurioso encanto
Que exala desses angélicos caracóis
Do leão que caça,
e do coração que pulsa lenta e pacientemente.

Confesso, morro de tanto desejo,
e mato de tanto amar...
Como negar?
Sei que não me arrependerei de tê-lo vivido!
E essa pena que fico a cumprir
A prisão que me abraçará

Estranhamente
É a minha mais louca e perpétua liberdade

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Como nascem os blogs sobre nada

Deito cedo, deito tarde, deito na hora de acordar, não faz diferença.

Rolo para um lado e rolo para o outro. O sono, estampado na cara, perfurado nos olhos, insiste em não se apoderar desta alma cansada. Eu rogo pelo vazio, meu corpo implora ao descanso, meus olhos suplicam à escuridão, mas os pensamentos...

Bem, os pensamentos sempre vencem a batalha.

O escritório impregnou no lençol, os planos no travesseiro e as crianças no cobertor. Crianças? Iiii! Não li a agenda da escola. Mas não vou ler agora. Preciso dormir. Ajeito o travesseiro... Preciso comprar outro travesseiro. Um daqueles de pena. Mas é caro, será que vale a pena? Ai eu preciso comprar tanta coisa. Preciso bolar um jeito de ganhar mais dinheiro. Falando nisso, preciso também me planejar e fazer tudo aquilo que eu planejar. E o mais importante: preciso anotar tudo o que preciso! Mas não vou anotar agora. Preciso dormir.

Até tento arrumar uma desculpa.

É a parede de um lado. É o frio do outro - isso quando não é o calor de um lado e o pernilongo do outro. E meu marido bem ali no meio. Bem no meio do meu lado da cama.

Não, deve ser o travesseiro. E ajeito o travesseiro. Rolo para um lado... Deve ser a televisão. E ligo o abajur. E desligo a TV. Rolo para o outro lado...

E quando olho para o marido, ele não está ali, ele está lá, onde eu queria estar. Está lá longe. Bem, bem longe do inimigo. Olho no relógio do despertador e suspiro: a batalha está só começando. Ainda são 2 horas da madrugada.

Rolo e enrolo o sono. Mas não consigo enrolar os pensamentos! Eu tento, juro que tento. Mas são os pensamentos que me enrolam. Olha aí ó. Estou pensando. E preciso dormir.

Estalo um braço, estalo o outro... Hum, que espreguiçada gostosa! Deu até soninho... Acho que estou pronta para dormir. Deixa eu só coçar o pé... Ai, agora o nariz também está pedindo... Peraí! Que som é esse? Puta merda, são os passarinhos cantando... E eles querem me dizer algo. Querem me dizer que já são quase 6 horas da manhã.

E eu ainda não dormi.
...
..
.
Tá.
...
..
.
Eu me rendo.

Acho que não preciso dormir. Preciso de um blog.

Meu blog... Quantas saudades desta morte-vida virtual!

... E voilà! Do inimigo fez-se o aliado.


De agora em diante não mais agonizo de insônia,

...

FiloGorfo.


Enjoy! :)