Acabo de receber uma ligação do meu recente (bem recente) ex-marido, são 2hs da madrugada e ele ainda não chegou em casa.
- Alô, oi tudo bem?
Eu tremia. Meu coração estava histérico. Eu sabia que o 'ex' (ai que estranho) estava com aquela garota com quem ele está saindo. Mas não sabia que o que viria teria requintes de crueldade como ele mesmo chamou as minhas atitudes.
- Oi. Tudo.
- Você estava dormindo?
- Não.
(Não, sua burra, você devia ter respondido 'não é mais da sua conta')
- Tentei te ligar várias vezes no celular agora, você não ouviu?
- Não.
Meu celular estava no silencioso.
- Eu vou dormir na casa do meu irmão hoje.
Um pouco de alívio acalma a minha tremedeira, mas ela não vai embora. 'Ah ta, ele saiu com a menina e foi para casa do irmão, que bom', eu pensei.
- Ah ta.
- Então, queria saber se eu posso ir direto trabalhar amanhã ou se eu passo aí primeiro para acordar as crianças.
Que bonzinho.
- Não. Eu já coloquei o despertador para eles acordarem.
- Ah ta, eu até comprei suco, blablablá.
Não estava conseguindo prestar atenção. Queria que meu coração parasse de ficar gritando.
Mas deu tempo de eu lembrar da casa que ele tinha visto para alugar que era um verdadeiro achado de barato.
- Você me dá o endereço daquela casa?
- Então, já alugaram. Eu liguei lá hoje. O pior é que tinha sala, era perfeito para você.
- Ahh
- Eu liguei em outros telefones hoje. E blablablá.
Nossa, que golpe. Ele está bem empenhado em me ver fora daqui. Nem ouvi o que mais ele falou.
- Ah ta. Então ta.
- Então ta. Tchau.
- Tchau.
- Beijos.
Beijos? Que mané beijos. Desliguei.
Ok. Meu coração ainda está gritando e minha cabeça ainda está tentando decodificar a conversa.
Até que ela pensou:
- Putz, esqueci de falar que eu levei a pequena para o hospital hoje e que ela ainda está com dor. Além disso, agendei para ver uma casa amanhã e estava contando com ele para me levar.
Volta eu ligar para ele.
Liguei mecanicamente, a cabeça estava a milhão.
CAIXA POSTAL.
Nossa, que susto. Acho que liguei errado. Deixa eu ver...
Não, não liguei. Peraí, acho então que ele estava ligando do telefone da casa do irmão dele. Acabei de falar com ele! Não é possível.
CAIXA POSTAL.
Olho para o celular, e lá estão as ligações perdidas das quais ele falou. Era o celular dele.
Meu coração, que já estava se recolhendo às suas batidas normais àquela altura, deu um salto de novo.
E junto com o coração, de novo, aquela dor.
Aquela dor que vem me acompanhando desde que eu cometi a maior burrada da minha vida. Desde que eu contei para ele que tinha o traído. Desde que eu decidi ficar com ele para sempre e ser verdadeira com ele. Desde que ele não me quis mais e eu não acreditei. Ainda não acredito. E a dor veio assim como ela me visita o dia inteiro agora, em todos os momentos. E me murcha. E me deixa em estado de choque. E me deixa vazia. E não quer ir embora.
Já chorei tanto, mas tanto, que às vezes, não tenho mais o que chorar. Então nessas horas, eu viro um zumbi. Ando com aquela olhar de horizonte, cabisbaixa, com a cara de quem já morreu faz tempo. Nessas horas, ela, a dor, continua aqui comigo, mais do que nunca, obcecando meus pensamentos e não vai embora. Dá vontade de me encolher, de virar uma tartaruga, de cavar um buraco em algum lugar e ali ficar para sempre. Por dentro, viro uma lesma agonizando com sal, e aliás, é por causa destes momentos, que sinto tanta dor nas costas e no ombro esses dias.
Eu quero tanto, mas tanto, que ela vá embora. Eu quero expulsá-la da minha alma. Então penso, vou conversar com alguém: reviro meu telefone, na verdade, eu reviro meu telefone 30 vezes por dia nesses últimos tempos, procurando alguém para desabafar, me escutar, me fazer chorar e ficar da forma mais egoísta possível dedurando essa dor, a minha dor impregnante. Mas não encontro ninguém.
Então, no desespero, eu procuro uma música no meu iPod que vai me fazer chorar. Porque eu preciso colocá-la pra fora. De qualquer forma, de alguma forma. Daí eu encontro qualquer música, porque qualquer música triste/ romântica retrata a minha vida hoje, faço força, e choro. Um pouquinho só.
Porque eu já chorei tudo e mais um pouco.
Mas eu choro e a dor continua aqui, essa psicopata desgraçada, sanguessuga que só sabe sugar.
Essa dor, que dói no estômago, na barriga, nas costas, que pesa, e esquenta minha cabeça, tinha ido embora antes dele ligar. Eu estava na internet vendo fotos de um krinha aí, e estava divertido, eu estava pronta para dormir sem minha outra 'amiga' desses últimos tempos, a insônia.
Até ele ligar. E fiz as ligações na minha cabeça.
- Ele não desliga o celular para dormir. Ele está dormindo com aquela garota.
...
Aquela dor...
De novo.
Voltou com tudo.
Agora as coisas ficam claras na minha cabeça.
Ele acabou de mentir pra mim na cara dura.
Que ceninha.
Falando das crianças. há! que preocupação com as crianças o quê. Ele queria mostrar para a garota como ele é bonzinho, 'olha como eu penso nas crianças, eu que faço o lanchinho deles de manhã, eu que coloco o despertador para eles.' há.
E lembro da sua primeira pergunta depois do automático 'tudo bem': 'você estava dormindo?'
Pra que ele quer saber se eu estava dormindo? Ele não me atende mais (ontem ele não me atendeu e ainda deu a desculpa de que não viu). Hoje eu nem liguei para ele, e ele também não me ligou o dia inteiro. Que preocupação repentina é essa com o que estou fazendo ou deixando de fazer?
E pensando bem, isso é hora de ligar para avisar que não vai dormir em casa? Já não é óbvio?
E chego a uma conclusão, que por mais dolorida que seja, ainda consegue me acalmar. E aquela dor, de depressão somada à impotência, somada principalmente à culpa, não mais me corrói. Estamos quites. Já deu. Eu traí 'com requintes de crueldade', como ele diz. E ele agora me tortura, me humilha com os mesmos 'requintes de crueldade'.
O ser humano traído se transforma completamente, é capaz até de matar. E é o que ele faz todos os dias comigo, me mata aos poucos porque lhe dá prazer.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
Quem vive de passado é órfão
Parece até solidão, mas não é bem isso... Sinto-me abraçada e abençoada!! Parece tristeza pura... sim, tem um pingo de tristeza de não poder voltar atrás, de não poder ser a mesma pessoa e de não poder ter a mesma visão do mundo. Mas também não é tristeza. Me sinto bem, feliz com a vida que tenho e as pessoas maravilhosas dentro dela. Sinto-me realizada e madura. Preparada para qualquer coisa. Calejada.
É um sentimento diferente. Não é de todo bom, mas não é ruim. É a saudade.
Sempre sinto isso. Saudade.
Essa linda e melancólica palavra que não tem tradução exata em língua nenhuma. Ela é única e ela é minha, sempre.
Sinto-a dentro de mim a todo tempo, mas ela se manifesta bem mais forte em algumas épocas. Se pudesse voltar no tempo... Eu voltava. Mas só pra dar uma passadinha e senti-la mais forte do que nunca.
É o que venho fazendo há muito. Acho que desde que tive filhos. Saudade de mim mesma talvez? Sei que tenho saudade da época em que não tinha responsabilidades e quando minha causa era só contrariar minha mãe e às regras da sociedade. Era tão inconsequente, ingênuo e bobo. Tão bom.
Sinto saudade da minha mãe. Não há um dia em que ela não esteja na minha cabeça, nas minhas lembranças, nas minhas atitudes e discursos. Ela faz parte de mim e eu não consigo largá-la. Muitas vezes me pego conversando com ela na minha cabeça. Não tinha muito diálogo com ela, mas ai se ela estivesse aqui.... era conversa para um mês inteiro. Tantas perguntas. Tantas dúvidas e curiosidades.
Vejo as pessoas falarem do passado, mas ninguém tem tanta saudade como eu. Meu passado morreu junto com a memória de meus pais. Aquelas histórias de quando eu era criança só podem ser contadas através dos olhos dos meus tios, primos, amigos e até avós. Mas nunca mais será contada através dos olhos da minha mãe ou do meu pai. Isso me entristece um pouco... Acho que por isso, sinto muito mais saudade. Pois a minha infância está dentro de mim, assim como minha adolescência, mas ela parece tão mais distante quando vejo que as pessoas principais que estiveram neste filme não estão mais para contar a história.
Por isso e também pela minha personalidade nostálgica, sinto saudade. Muita. De todas as fases boas que me lembro. E me envergonho das fases ruins.
É por isso que preciso de um terapeuta. Ou não preciso? Nossa, já passei por tanta coisa sozinha, sem terapeuta, muitas vezes até sem amigos... e passei. e levantei e superei. E cá estou, modéstia à parte, muito orgulhosa de quem me tornei.
02:30 da manhã e o dever me chama. Dia cheio amanhã, como sempre. Trabalho. Estudo. Filhos. Festa. Sim, festa não é mais festa uhul, é dever. É gastar. É dor de cabeça. E não é pra mim. Vida louca vida cheia vidaaaaa... vida bela afinal de contas. Te amo vida! Saudade, também te amo!! Mas não precisa ficar tão pertinho....
Um abraço virtual da Ligia do amanhã da Ligia que um dia foi e nunca mais será.
É um sentimento diferente. Não é de todo bom, mas não é ruim. É a saudade.
Sempre sinto isso. Saudade.
Essa linda e melancólica palavra que não tem tradução exata em língua nenhuma. Ela é única e ela é minha, sempre.
Sinto-a dentro de mim a todo tempo, mas ela se manifesta bem mais forte em algumas épocas. Se pudesse voltar no tempo... Eu voltava. Mas só pra dar uma passadinha e senti-la mais forte do que nunca.
É o que venho fazendo há muito. Acho que desde que tive filhos. Saudade de mim mesma talvez? Sei que tenho saudade da época em que não tinha responsabilidades e quando minha causa era só contrariar minha mãe e às regras da sociedade. Era tão inconsequente, ingênuo e bobo. Tão bom.
Sinto saudade da minha mãe. Não há um dia em que ela não esteja na minha cabeça, nas minhas lembranças, nas minhas atitudes e discursos. Ela faz parte de mim e eu não consigo largá-la. Muitas vezes me pego conversando com ela na minha cabeça. Não tinha muito diálogo com ela, mas ai se ela estivesse aqui.... era conversa para um mês inteiro. Tantas perguntas. Tantas dúvidas e curiosidades.
Vejo as pessoas falarem do passado, mas ninguém tem tanta saudade como eu. Meu passado morreu junto com a memória de meus pais. Aquelas histórias de quando eu era criança só podem ser contadas através dos olhos dos meus tios, primos, amigos e até avós. Mas nunca mais será contada através dos olhos da minha mãe ou do meu pai. Isso me entristece um pouco... Acho que por isso, sinto muito mais saudade. Pois a minha infância está dentro de mim, assim como minha adolescência, mas ela parece tão mais distante quando vejo que as pessoas principais que estiveram neste filme não estão mais para contar a história.
Por isso e também pela minha personalidade nostálgica, sinto saudade. Muita. De todas as fases boas que me lembro. E me envergonho das fases ruins.
É por isso que preciso de um terapeuta. Ou não preciso? Nossa, já passei por tanta coisa sozinha, sem terapeuta, muitas vezes até sem amigos... e passei. e levantei e superei. E cá estou, modéstia à parte, muito orgulhosa de quem me tornei.
02:30 da manhã e o dever me chama. Dia cheio amanhã, como sempre. Trabalho. Estudo. Filhos. Festa. Sim, festa não é mais festa uhul, é dever. É gastar. É dor de cabeça. E não é pra mim. Vida louca vida cheia vidaaaaa... vida bela afinal de contas. Te amo vida! Saudade, também te amo!! Mas não precisa ficar tão pertinho....
Um abraço virtual da Ligia do amanhã da Ligia que um dia foi e nunca mais será.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
O quê da questão
quero fazer poesia
mas sem boemia
não dá.
quero amar loucamente
mas com alma doente
é difícil.
quero ter paciência
mas preciso de eficiência
dos outros.
quero falar tudo o que quero
mas sem fazer média sem lero lero
quero ser verdadeira
mas na vida corriqueira
às vezes esqueço
quem sou.
não sei se obedeço
o que quero
ou não sei se obedeço
o que sou
o que penso
já não sei
o que faço
só fica no papel
o que quero
o que penso
o que sei
o que sou
o que faço
o que escrevo
o quê da questão
mas sem boemia
não dá.
quero amar loucamente
mas com alma doente
é difícil.
quero ter paciência
mas preciso de eficiência
dos outros.
quero falar tudo o que quero
mas sem fazer média sem lero lero
quero ser verdadeira
mas na vida corriqueira
às vezes esqueço
quem sou.
não sei se obedeço
o que quero
ou não sei se obedeço
o que sou
o que penso
já não sei
o que faço
só fica no papel
o que quero
o que penso
o que sei
o que sou
o que faço
o que escrevo
o quê da questão
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